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Câmara empresta quadro centenário “Leitura da Sentença de Tiradentes” ao Museu da Inconfidência

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A Câmara de Vereadores de Ouro Preto emprestou o quadro centenário “Leitura da Sentença de Tiradentes” para o Museu da Inconfidência de Ouro Preto. A pintura histórica é de autoria do artista Leopoldino Joaquim Teixeira de Faria e, desde a última sexta-feira (9), compõe o circuito do Museu, que celebra 75 anos em 2019.

O termo de cessão de direito de uso de bem público foi assinado em julho de 2019 e terá vigência até julho de 2024. O presidente da Câmara, vereador Juliano Ferreira (MDB), explicou que essa parceria com o Museu da Inconfidência já vinha sendo articulada há um tempo. “É uma obra de suma importância e de valor inestimável. Embora ela fosse extremamente importante para a Câmara, nós não oferecíamos condições adequadas para essa obra de tamanha grandeza, já que a Casa não oferecia condições adequadas, tanto de proteção quanto de preservação dela no local. Chegamos a um consenso, todos os vereadores, junto com o Museu, de que o melhor era trazer a tela para um ambiente adequado. Na Câmara, poucas pessoas sabiam da existência dessa obra e ela ficava privada, já que muitos visitantes e turistas não conseguiam ter acesso a uma obra de grandiosa e que causa tamanho impacto e emoção”, destacou.

A diretora interina do Museu da Inconfidência, Margareth Monteiro, explicou que o interesse na transferência da tela da Leitura da Sentença de Tiradentes para o Museu era, sobretudo, na conservação, na restauração e na preservação da obra para posteridade. “São bodas de diamante, 75 anos do Museu da Inconfidência, e é um ano muito especial porque ele marca os 230 anos da Conjuração Mineira. A gente celebra com muita alegria a possibilidade de trazer essa tela no aniversário do Museu e nós temos certeza que ela será vista por milhões de pessoas”.

O trabalho de recuperação da tela foi feito em 25 dias pelos restauradores Celso Alves de Araújo e sua esposa. “A tela estava em processo de degradação já bem avançado, devido as oscilações de temperatura, umidade e incidência de sol. Também tinham muitas áreas de craquelês e desprendimento de policromia. Também havia uma camada muito grossa de cera e resina que acabava tampando um pouco a beleza da obra. Conseguimos remover muito a cera e resina, fizemos a fixação dos craquelês, reintegração cromática e aplicação de verniz final”, disse. Aldo também destacou que o trabalho não termina nessa etapa. “A maçonaria está financiando, durante dois anos, a conservação preventiva da obra. Nesse período, podemos garantir que a obra estará perfeita, sem nenhum dano”, concluiu.

O presidente do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), Paulo Amaral, destacou que a ida da tela para o Museu é um grande marco nesses 75 anos da Instituição, que é uma das principais instituições museológicas do País. “Essa tela é o retrato de tudo que representou a Inconfidência. Essa é uma Casa de Memórias e sobretudo as memórias da liberdade. A vinda dessa tela, graças a um conjunto de esforços, a coloca em seu lugar”. O jornalista Angelo Oswaldo também comentou a ida da obra para o Museu da Inconfidência. “Sendo o presidente da Câmara um professor de história, o vereador Juliano Ferreira, entendeu que era necessário realmente transferir da sala da presidência da Casa para a sala dos Inconfidentes. A Câmara de Vereadores dá-se um presente a todos os ouro-pretanos, aos visitantes e turistas porque terão oportunidade agora de conhecer um trabalho tão significativo sobre a Inconfidência Mineira”, pontuou.

Para restaurar a obra, o Museu firmou parceria com a instituição museal e a Grande Loja Maçônica de Minas Gerais, que patrocinou a restauração da tela, por empresa especializada. A empresa também produziu uma réplica, que foi entregue à Câmara de Vereadores no dia 29 de julho e está na sala da presidência da Casa, no mesmo local onde ficava a tela original.

Sobre o quadro
O quadro “Leitura da Sentença de Tiradentes”, datado do final do Império, é de autoria de Leopoldino de Faria (1836-1911), pintor oficial da Academia Imperial do Rio de Janeiro. Com três metros de largura por dois metros de altura, moldura dourada em rococó - estilo que surgiu na França como desdobramento do barroco, a tela passou por quatro intervenções de restauro: a primeira foi realizada pelo pintor Honório Esteves, em 1900. A última foi feita pelo restaurador Aldo Araújo que, em 2016, fez uma limpeza na obra. Aldo recuperou áreas com perda de pigmentação e outras com craquelês (rachaduras) avançadas, resultado, entre outros fatores, de oscilações bruscas de temperatura e umidade.