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Ouro Preto planeja evento para celebrar os 300 anos da Revolta de Vila Rica

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O tricentenário da Revolta de Vila Rica será celebrado em 2020 e, para marcar a data, a Câmara Municipal de Ouro Preto, o Departamento de História da UFOP e representantes de diversas instituições do município se reuniram na última quinta-feira (13) para tratar sobre as atividades que serão realizadas na cidade. 


O presidente da Câmara, vereador Juliano Ferreira (MDB), que é estudioso da história local e autor de dissertação de mestrado sobre o Morro da Queimada, sítio arqueológico que guarda vestígios da mineração no século 18 e um dos palcos da revolta de Filipe dos Santos, destaca a importância da iniciativa. “Já está tendo um movimento no Estado, mais precisamente em Belo Horizonte, para tratar dos 300 anos da criação de Minas Gerais. Mas nos sentimos um pouco desprestigiados em relação à Revolta de Vila Rica, que irá comemorar 300 anos em junho deste ano. Por isso, resolvemos criar o ano da Revolta de Vila Rica. Lembrando que esse evento criou uma série de fatores que acabaram culminando na criação de Minas Gerais”, explicou.


Para Francisco Eduardo de Andrade, professor do Departamento de História da Ufop e integrante da comissão técnica do evento, as instituições que promovem e pesquisam o patrimônio cultural, histórico e artístico de Minas Gerais, com apoio da Câmara Municipal e da Prefeitura de Ouro Preto, buscam rememorar dois acontecimentos do ano de 1720. “Comemoramos, criticamente, o tricentenário de tais fatos significativos. O primeiro foi a Revolta de Vila Rica, que reuniu comerciantes, mineradores, populares libertos e escravos da Serra do Ouro, dos morros urbanos. Os moradores reagiram com as regras da justiça do rei, nos locais de exploração e opunham-se a elevação de taxas e tributos estatais e a carestia dos gêneros de abastecimento. O outro acontecimento, estimulado pelo ambiente generalizado de conflitos nas minas, sobretudo em Vila Rica e na Vila do Carmo, atual Mariana, onde uma concentração de exploradores e trabalhadores africanos e afrodescendentes produziam situações explosivas, foi a fundação de um novo espaço territorial do Brasil, Minas Gerais, capitania oficialmente constituída em 2 de dezembro de 1720, que passou a ter um governo próprio, escolhido diretamente pela coroa portuguesa. Esses dois fatos vinculados foram determinantes para a história do território mineiro”, explicou.

Ainda de acordo com o presidente da Câmara, esse é um importante momento para exaltar as figuras de Felipe dos Santos, de Pascoal da Silva Guimarães, que era o dono do Arraial do Pascoal, que hoje é o Morro da Queimada. O presidente também pontuou que está tendo o apoio do vereador Chiquinho de Assis (PV) e dos demais edis. “Estamos com grandes expectativas. Teremos oficinas, seminários, debates a cerca da história e exposições retratando o momento da Revolta de Vila Rica, bem como a criação de Minas Gerais porque eu vejo que a cidade de Ouro Preto e os protagonistas da Revolta tiveram um papel muito importante nesse sentido”.

Também participaram da reunião: representantes da Prefeitura Municipal de Ouro Preto, Fundação de Arte de Ouro Preto (FAOP), Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG), Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), Arquivo Público Municipal de Ouro Preto, Museu de Arte Sacra de Ouro Preto, Associação Brasileira da Indústria de Hotéis, Sistemas de Museus de Ouro Preto, Coletivo Du Veloso, Mina Du Veloso e Museu da Inconfidência.