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Câmara de Ouro Preto investe na presevação de seus arquivos

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Câmara de Ouro Preto investe na presevação de seus arquivos

Câmara de Ouro Preto investe na presevação de seus arquivos


A Câmara Municipal de Ouro Preto já está com os seus arquivos corrente e intermediário organizados. Os arquivos guardam documentos – atas, resoluções, projetos e leis – produzidos durante os anos de 1959 e 2004.

A ação para organizar e recuperar o acervo começou em abril de 2005, por determinação da presidência da Câmara. “Os documentos estavam num estado deplorável. Encontramos lixo, fezes de ratos e até entulho produzido na última reforma da Câmara – realizada entre 2003 e 2004 – misturados às caixas”, conta Miguel Arcanjo Santiago, chefe da seção de arquivos da Câmara Municipal de Ouro Preto.

Durante nove meses os documentos foram selecionados, higienizados e organizados de acordo com o tipo e a data. “Há um ano, tínhamos que examinar caixa por caixa quando recebíamos um pedido para encontrar um determinado documento. Hoje, qualquer documento é disponibilizado em poucos minutos”, compara a agente legislativa Anailza Guedes Dias, coordenadora do arquivo. Para a recuperação do arquivo a Câmara também contratou uma consultora especializada no assunto e ofereceu cursos de capacitação para todos os funcionários que trabalham no setor.

Atualmente, o acervo está distribuído em cerca de 300 caixas armazenadas em estantes, numa sala do subsolo do prédio da Câmara. Um catálogo contendo as especificações de cada conjunto de documentos orienta as pesquisas no arquivo, que já está aberto à população. “Toda a equipe que trabalha com o arquivo é grata à mesa diretora da Casa. Os documentos ficavam jogados como papéis sem valor e hoje, pela primeira vez, eles têm sido tratados com o devido cuidado”, conclui Anailza.

Além dos arquivos corrente e intermediário, a Câmara de Ouro Preto conta ainda com dois arquivos históricos: os documentos produzidos no período que vai de 1930 a 1959 estão guardados no Arquivo Público Municipal. Já a documentação relativa aos anos anteriores a 1930, inclusive a das Câmaras Colonial e Imperial, está hoje localizada no Arquivo Público Mineiro, em Belo Horizonte.

Para o presidente da Câmara Municipal de Ouro Preto, Wanderley Rossi Kuruzu (PT), o trabalho de gestão documental é importante para agilizar as funções do legislativo e fundamental para a preservação da memória da cidade. “Os arquivos antigos da Câmara de Ouro Preto, que hoje são referência para o estudo da história do Brasil colonial, só existem porque foram preservados. É preciso cuidar da documentação do nosso passado recente para que as gerações futuras conheçam o que foi feito no nosso tempo”, afirma.

Na próxima etapa do trabalho, a equipe da Câmara Municipal deve organizar o acervo fotográfico da instituição.

Trabalho de recuperação localizou documentos do final do século XIX

O trabalho de recuperação do arquivo da Câmara Municipal de Ouro Preto trouxe à tona documentos que ajudam a contar a história da cidade nos últimos anos do século XIX. Trata-se de três cartas enviadas aos presidentes da Câmara da então capital mineira nos anos de 1885, 1890 e 1893. As correspondências foram achadas por acaso, já que, na atualidade, a Casa só guarda documentos produzidos depois de 1959.

“Devendo ser colocada na Praça da Independência, nesta Capital, a estátua de Tiradentes, cujas fundações já principiei, e existindo, nessa mesma Praça, uma coluna erigida à memoria de aquele Martir e glorioso mineiro, venho propôr-me a transportar a referida coluna para qualquer outro lugar que vos dignareis designar-me”. Nesta citação, retirada de um documento datado de 23 de fevereiro de 1893, a capital em questão ainda era a cidade de Ouro Preto, e a sua Praça da Independência é a hoje conhecida Praça Tiradentes. O documento uma, correspondência do artífice Júlio Porto ao presidente da Câmara Municipal da então capital mineira, Diogo de Vasconcelos,. A coluna que Júlio Porto se propunha a deslocar e também reformar (a um custo de quatro contos de réis) foi o primeiro monumento a homenagear a Inconfidência Mineira no país. Conhecida como Coluna Saldanha Marinho (homenagem ao governador da Província de Minas Gerais na época da sua inauguração, 1867) ela ocupou o mesmo local onde hoje se encontra o monumento a Tiradentes. Atualmente a coluna ainda está em Ouro Preto, na praça Amadeu Barbosa.

Na correspondência mais antiga , datada de 1885, sugestões para a regularização das atividades dos tropeiros na cidade mostram como o abastecimento do comércio da região dependia desses mercadores-viajantes. Já num ofício enviado à Câmara no dia 14 de janeiro de 1890, é possível perceber o processo de transição política vivido pelo Brasil numa época em que a recém-nascida República não completara ainda dois meses de existência. Assinada pelo primeiro governador republicano de Minas Gerais, José Faria de Cesário Alvim, a correspondência anuncia decisão do governo estadual de “ attendendo a conveniencia do serviço publico (...) dissolver a Câmara Municipal da Capital e crear uma Intendência do Município”.

Foto:
Trecho da carta enviada pelo artífice Júlio Porto ao presidente da Câmara, Diogo de Vasconcelos, propondo o deslocamento e reforma da coluna Saldanha Marinho


Publicado por: Assessoria de Comunicação em 19/01/2006