Audiência Pública debate reabilitação, acompanhamento e monitoramento pós-covid

Audiência Pública debate reabilitação, acompanhamento e monitoramento pós-covid

 

Câmara Municipal de Ouro Preto - Audiência Pública debate reabilitação, acompanhamento e monitoramento pós-covidA Câmara Municipal realizou, nesta quarta-feira (28), a 11ª Audiência Pública de 2021, para tratar sobre a reabilitação, acompanhamento e monitoramento dos casos de pós-covid em Ouro Preto, requerida pelo vereador Renato Zoroastro (MDB).

Participaram da audiência a Nutróloga Janine Dias, a Pneumologista Graziela Rioga, a residente de UTI Geiza Conceição, o Fisioterapeuta João Rezende, o Professor de Educação Física Adriano Nogueira, a Fonoaudióloga Vivian Soares, o Diretor Técnico de Saúde da Prefeitura de Chapecó João Lenz, além da vereadora Lilian França (PDT) e de representantes da Secretaria Municipal de Saúde.

O vereador Renato, presidente da sessão, havia feito, anteriormente, uma indicação solicitando ao Poder Público a construção de um centro de reabilitação pós-covid. De acordo com o parlamentar, muitas pessoas ao se recuperarem do vírus acabam não procurando um médico para realizar um acompanhamento posterior, podendo ficar sujeitas a diversas sequelas consequentes da contaminação. “Falta de ar, perda de paladar, cansaço, depressão e fraqueza são sintomas recorrentes em boa parte da população que já foi contaminada pelo Covid-19. E a maioria ainda sente muita dúvida em relação ao que fazer e onde procurar ajuda. Portanto, essa é a motivação para essa Audiência Pública, sanar esses questionamentos da população”, ressaltou.

A nutróloga Janine Dias afirmou que muitas das sequelas relatadas por pacientes são evidentes, porém outras acabam se tornando imperceptíveis. “Muitas dessas sequelas aparecem em exames, alterações de triglicérides, de vitaminas, glicose e alguns pacientes podem desenvolver doenças auto-imunes. Porém, alguns outros sintomas se apresentam em nível celular, como a fadiga ou a perda de memória, onde é realizado o exame e não necessariamente é detectado a causa do problema”, destacou.

Para a pneumologista Graziela Rioga, as consequências de não haver um atendimento posterior estão cada vez mais visíveis, principalmente entre os jovens, tendo em vista que esse grupo da população acaba sendo mais tolerante aos sintomas.

Segundo a  Secretária de Saúde Glauciane Resende, devido ao cenário de urgência,  a eficiência durante a organização para o tratamento à Covid-19 diminuiu consideravelmente. Entretanto, dada a duração da pandemia, várias demandas já foram resolvidas. “Fazendo essa análise de tempo, estamos sentindo agora a demanda pós-covid. Já temos um ano de pandemia e isso está nos direcionando,  já temos evidências científicas e estudos publicados, por isso devemos estar em constante adaptação para continuar atendendo, tanto os pacientes contaminados, como os já recuperados que apresentam alguma sequela”, frisou.

A residente de UTI Geiza Conceição afirmou que, de acordo com instruções da Organização Mundial da Saúde (OMS), o atendimento de reabilitação deve começar enquanto o paciente ainda possui algum sintoma agudo ou pós-agudo. “Para os casos mais graves a reabilitação deve ser de acordo com o que cada paciente tolera. Então, seria feita em um segundo momento, em um pós-covid de fato, depois do tratamento da doença aguda”, salientou.

Diante da possibilidade de criação do Centro de Reabilitação, a fonoaudióloga Vivian Soares afirmou que um local preparado especialmente para os cuidados posteriores seria de extrema importância, não só para os pacientes, mas também para os profissionais, uma vez que estes estariam integrados, podendo acelerar a recuperação. “Esse centro seria uma porta de entrada para o direcionamento dos pacientes. Nós já temos uma alta demanda na cidade, não tem como haver apenas o empréstimo de profissionais”, opinou.

O professor de educação física Adriano Nogueira falou sobre as atividades físicas recomendadas para os pacientes que sofreram danos no pulmão, ressaltando as práticas ideais para aqueles que apresentam comorbidades e são de grupos de risco. Para Adriano, é necessário realizar uma avaliação física em cada paciente, com o objetivo de identificar o exercício ideal para cada indivíduo, para que assim as sequelas da infecção do Covid-19 não sejam acentuadas.

Já o fisioterapeuta João Rezende ressaltou que a situação do paciente é muito importante quando se trata de realizar a reabilitação física. “Devemos analisar quanto tempo o paciente ficou internado, se teve ventilação mecânica, se o paciente está acamado, se está com alimentação via oral. Avaliamos também a força muscular, se o paciente consegue sentar, se tem equilíbrio, entre outras dificuldades. Tudo isso deve ser levado em consideração, pois não podemos correr o risco de propagar ainda mais as lesões no paciente”, realçou.

Exames pós-covid
Conforme explicou a nutróloga Janine Dias, os exames prioritários, altamente necessários para os pacientes pós-covid, independente da gravidade da infecção, são os exames de rotina geral, provas de função inflamatória, provas de função hepática, além de exames de corticoide, colesterol e também de zinco e vitamina C.

Encaminhamentos
1. Monitoramento dos pacientes: acompanhamento regular, exames de revisão e laboratorial;
2. Ampla divulgação sobre a necessidade de georreferenciamento;
3. Equipe específica para o tratamento pós-covid com local apropriado para receber apoio;
4. Imediata organização dos serviços;
5. Criação ou ampliação de ambulatório para o pós-covid;
6. Ajuste da rede de atendimento;
7. Necessidade de assistência multiprofissional;
8. Capacitação da Atenção Primária;
9. Necessidade de uma triagem após a Covid (sintomas leves ou não);
10. Importância da informação: o executivo deve dar publicidade sobre os principais sintomas do pós-covid para que os recuperados possam ter um direcionamento;
11. Elaboração, construção e organização de uma estrutura multidisciplinar;
12. Implantação de um Centro de Reabilitação com logística adequada de atendimento e fácil acesso visando atender inclusive os pacientes dos distritos;
13. Implantação de protocolo de manejo clínico e de central de regulação – para direcionamento de vagas de consultas;
14. Existência de exames de imagem, tomografia, exames laboratoriais, atendimento prévio, para fazer filtro e triagem de atendimento;
15. Equipe multidisciplinar – (fono, otorrino, nutricional, terapeuta, profissional de educação física, psicólogo e assistente social);
16. Criação de grupo de estudo no município;
17. Existência de um psicólogo e de um assistente social para atendimento na Atenção Primária – UBS;
18- Estruturar a rede municipal de medicamentos (fármacos), de acordo com as demandas relacionadas a cada tratamento.

 

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