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Tribuna Livre relembra incêndio no Hotel Pilão e promove debate sobre segurança

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Durante a 28ª Reunião Ordinária de 2021, que aconteceu nesta quinta-feira (15), foi realizada uma Tribuna Livre para falar sobre os 18 anos do incêndio no Hotel Pilão, fato marcante que aconteceu em Ouro Preto no dia 14 de abril de 2003.

A pedido dos vereadores Vander Leitoa (Solidariedade) e Zé do Binga (PV), o capitão do corpo de bombeiros de Ouro Preto, Márcio Toledo, foi convidado a comparecer, virtualmente, para falar tanto sobre a ocasião do incêndio, como da percepção sobre as medidas de segurança que funcionam e são aplicadas diante de situações como a do hotel.

De acordo com o capitão, quando ocorre um acidente notório, a percepção de segurança das pessoas aumenta consideravelmente. Porém, com o passar do tempo, a curva de alerta da população tende a diminuir. “Nós estamos vivendo um momento de pandemia, porém, incêndios e outros acidentes não param de acontecer. O que eu gostaria de trazer aqui é justamente uma palavra pública, chamando a atenção de todos os ouro-pretanos para que possamos aumentar essa percepção de segurança, para estarmos sempre atentos à nossa volta”, ressaltou.

O vereador Zé do Binga ressaltou que Ouro Preto é um município que possui mais de 300 anos e, consequentemente, várias particularidades. Ele afirmou que irá apresentar um documento na Câmara, com o objetivo de promover e garantir um trabalho de fiscalização em todo centro histórico, principalmente nas igrejas e prédios centenários. “A nossa Casa Legislativa, por exemplo, deve passar por uma grande vistoria. Ainda dá tempo de agirmos, há muitos prédios que precisam ser vistoriados. Ouro Preto é história, portanto, essa história deve ser preservada”, frisou.

Diante da pergunta do vereador Luiz Gonzaga (PL), presidente da Câmara,  sobre a situação da Casa da Câmara Bernardo Pereira de Vasconcelos, o capitão Márcio respondeu que houve vistorias, porém, ainda há, algumas pendências a serem analisadas. “Em nossa gestão vamos sempre prezar pela segurança e manutenção dos bens públicos, a começar por esse casarão que abriga o poder legislativo e é uma grande riqueza do povo ouro-pretano. Vamos sempre cuidar do que é nosso e de toda nossa história”, disse o presidente.

Hotel Pilão - história
Localizado na esquina da Praça Tiradentes com a rua Cláudio Manoel, o antigo casarão de arquitetura colonial era uma referência para os moradores que o denominavam “O Pilão”, graças ao serviço de hotelaria que por décadas ocupou todo o segundo pavimento: o Hotel Pilão. Além do hotel, comércios existiam no térreo e subsolo: lojas de móveis e eletrodomésticos, de artesanato e de pedras preciosas e joias; uma farmácia; e um café tipo lan-house.
Em 14 de abril de 2003, um incêndio destruiu o casarão, além de ameaçar edificações históricas vizinhas ao hotel, como o prédio da Câmara de Ouro Preto e a Casa da Baronesa, sendo necessário para apagar o fogo os Batalhões de Bombeiros de cidades vizinhas.
Após o incêndio, escavações realizadas revelaram estruturas de alvenaria de pedra do século XVIII. Durante a reconstrução, os trabalhos de arqueologia realizados nas ruínas revelaram as fundações de três casas datadas de 1812. Há também indícios de que, em 1868, no local das três casas, existiam apenas duas e, em 1894, uma única residência.
Nos últimos anos, o hotel teria funcionado no andar superior do casarão, enquanto nos inferiores funcionavam comércios: uma loja de pedras preciosas e joias, uma loja de móveis, uma loja de artesanato, uma farmácia e um café–internet. Poucos meses antes do incêndio o casarão foi vendido a um empresário do setor hoteleiro não estabelecido em Ouro Preto. O hotel ficou fechado e as lojas permaneceram em funcionamento.
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Referências:
PATRIMÔNIO, MEMÓRIA E MERCADORIA: uma reconstrução arquitetônica em Ouro Preto, Minas Gerais – Vanessa Regina Freitas da Silva.

RECONSTRUÇÃO DE EDIFÍCIOS HISTÓRICOS: Estudo de Caso do “Antigo Hotel Pilão” em Ouro Preto/MG – Marco Antônio de Próspero