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Associação habitacional revoluciona política de moradia no Município

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Associação habitacional revoluciona política de moradia no Município

Associação habitacional revoluciona política de moradia no Município


Construção e reforma de casas começam nesta quarta-feira. Inicialmente, serão atendidas 310 famílias

Muita gente morando em áreas de risco no entorno do Centro Histórico e famílias ainda vivendo em casas de sapé e sem banheiro, na zona rural. Essa realidade fez com que cerca de mil pessoas se organizassem através de uma associação, a partir de maio de 2004, para reivindicar maior atenção do poder público em relação ao setor habitacional do Município.

Com reuniões mensais – toda primeira sexta-feira de cada mês – que lotam o plenária da Câmara de Vereadores, a Associação Habitacional de Ouro Preto vem conseguindo em pouco tempo de existência um grande sucesso. Está em andamento, numa parceria entre a Associação, a Prefeitura e com o Governo Federal, o maior programa de habitação da história da Cidade, batizado de “Programa Um Teto É Tudo”.

As construções e reformas de moradias começam nesta quarta-feira, 18 de janeiro. Inicialmente, 310 famílias serão beneficiadas. Às 10 horas, o prefeito Angelo Oswaldo (PMDB), o presidente da Câmara, Wanderley Kuruzu (PT), e secretários municipais visitam a primeira casa que será reformada, no número 144 da Rua Manoel Mourão, bairro Bauxita. Logo em seguida, no distrito de Cachoeira do Campo, as autoridades assistem ao início de uma obra de construção.

Para viabilizar o programa de moradia, foi criado o Fundo Municipal de Habitação. Parte do recurso – 1 milhão de reais – foi doado pelo Legislativo. O presidente da Câmara destaca que a política habitacional em Ouro Preto, desenvolvida em conjunto pela Câmara, Prefeitura e comunidade, apresenta duas novidades dignas de nota: a retirada de famílias de áreas de risco e sua transferência definitiva para moradias em locais seguros e a atenção destinada à zona rural, onde muitas casas ainda não têm água, luz ou fossa sanitária. Além do mais, está diretamente relacionada à preservação do patrimônio histórico de Ouro Preto. “A região central de Ouro Preto está inchada e, de acordo com os órgãos ambientais e patrimoniais, não existem quase mais áreas para serem feitas novas construções. Hoje, temos uma série de construções erguidas em encostas, que, além de colocarem em risco a vida dos moradores, representam um dos mais graves problemas relacionados à preservação do patrimônio histórico”, conclui.

Mutirões
Organizados pela Associação Habitacional, famílias pobres que pagam aluguel e moradores de áreas de risco, estão tornando o sonho da casa própria realidade. Através do Programa Crédito Solidário, do Governo Federal, conseguiram financiamento e já deram início à construção de 80 casas, no bairro Santa Cruz. A infra-estrutura do conjunto, orçada no valor de R$ 1,2 milhões, será financiada pela Prefeitura.

Na sede da Associação Comunitária do bairro (antigo prédio da Pastoral do Menor), os mutirantes fazem eles próprios os tijolos para as futuras habitações, a partir da tecnologia conhecida como solo-cimento – uma mistura composta por 90% de terra e 10% de cimento. “Quando se pensa no trabalho em mutirão há a necessidade de integração das pessoas. A tecnologia solo-cimento proporciona essa integração ao reunir a população para a produção dos tijolos”, justifica Jessé Albino da Silva, presidente da Associação Habitacional.

Conforme a arquiteta Lucciana Mancini, o tijolo feito a partir da tecnologia é mais ecológico e resistente do que os tijolos tradicionais. Além disso é mais barato, pois utiliza material local (a terra, retirada da antiga fábrica de tecidos, foi doada pela Companhia Industrial Itaunense), o que reduz custos com transporte e importação de materiais. “Ao se envolverem no processo de construção as pessoas criam um vínculo estreito com suas casas, o que evita problemas com vendas e especulação imobiliária no futuro”, completa.

O assentamento dos tijolos, feito por ecaixe, não requer o uso nem de argamassa nem de reboco. A arquiteta enumera ainda outras vantagens da tecnologia solo-cimento: “como as pessoas aprenderam a técnica do solo cimento, no futuro, podem fazer tijolos para vender e isso representar uma fonte de renda para toda a população do conjunto”, afirma.


Publicado por: Assessoria de Comunicação em 17/01/2006